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Abertura de Cavaleiros do Zodíaco: Pegasus Fantasy e outras

Existe uma memória afetiva que une milhões de brasileiros: ligar a televisão, ver aquele céu estrelado tomar conta da tela e ouvir os primeiros acordes de uma música que parecia maior do que qualquer coisa ao redor. Para uma geração inteira, esse foi o primeiro contato com o cosmo de Seiya. O anime chegou ao Brasil pela Rede Manchete em 1994, dublado pela Gota Mágica, e a abertura de Cavaleiros do Zodíaco foi a porta de entrada para um universo mitológico que poucos conseguiam imaginar tão vasto naquela época.

Cada tema de abertura funciona como uma assinatura emocional. Eles não são apenas vinhetas de apresentação: marcam uma saga específica, um conjunto de heróis, um capítulo distinto da mitologia construída por Masami Kurumada. Para quem hoje quer mergulhar nesse universo com profundidade, o CosmoAtlas organiza fichas interligadas de personagens, armaduras e constelações por saga, justamente porque cada fase da série tem sua própria identidade. E a trilha sonora é parte inseparável disso.

Neste artigo, você vai encontrar cada abertura do anime, o intérprete responsável, as curiosidades de bastidores e onde ouvir oficialmente hoje. Da “Guardiões do Universo” que tocou na Manchete às aberturas das OVAs de Hades e dos títulos modernos como Ômega e Alma de Ouro, o mapa sonoro da série está completo aqui.

A abertura que chegou pela Manchete em 1994: “Guardiões do Universo”

Quando o anime estreou no Brasil, os telespectadores não ouviram “Pegasus Fantasy” de imediato. A versão exibida na Rede Manchete utilizou “Guardiões do Universo” como tema de abertura para aquela fase inicial, e foi esse o primeiro contato do público brasileiro com o cosmo dos Cavaleiros. Já na sequência de abertura, a faixa definia o tom da série: épico, marcial, com aquela sensação de batalha inevitável e sacrifício que atravessa cada saga do anime, uma leitura que qualquer fã dos anos 1990 reconhece à primeira escuta.

Muitos fãs da geração Manchete guardam esse vínculo afetivo como algo distinto da abertura japonesa, e não por acaso. “Guardiões do Universo” tinha um caráter orquestral com influências do rock dos anos 1980 que se encaixava bem às imagens exibidas no Brasil. Para esses fãs, ouvir a música hoje ainda provoca aquele efeito imediato de transporte no tempo, de volta à tarde em frente à TV aberta.

Pegasus Fantasy: a abertura que virou símbolo de uma geração

“Pegasus Fantasy” é, sem discussão, o tema mais associado à série. Composta e interpretada pelo grupo japonês MAKE-UP, ela foi criada para a Saga do Santuário, a primeira e mais longa fase do anime clássico. O MAKE-UP era uma banda de hard rock e heavy metal formada em 1983, e a fusão do estilo característico da banda com uma melodia épica e acessível gerou algo de impacto imediato: a faixa chegou ao público japonês com uma força que rapidamente a transformou em hino da série.

A versão brasileira de “Pegasus Fantasy” foi gravada por Edu Falaschi, e a apresentação ao público aconteceu em 3 de julho de 2003, durante o Anime Friends, um dos maiores eventos de cultura japonesa do Brasil. A adaptação em português preservou o espírito central da letra original, que convoca o ouvinte a elevar o cosmo interior e a superar seus próprios limites, com escolhas fonéticas que se encaixavam naturalmente no ritmo da faixa. Em 2024, Falaschi lançou uma regravação em faixa avulsa, demonstrando que o vínculo do artista com a música ainda é vivo e significativo.

O motivo pelo qual “Pegasus Fantasy” atravessou décadas é simples: ela funciona fora do contexto da série. O grupo MAKE-UP se reuniu para apresentações ao vivo onde a faixa figura como atração principal, e a música mantém presença constante em listas de reprodução de anime clássico nas plataformas de áudio. Não é nostalgia pura; é reconhecimento de qualidade musical que envelheceu bem.

Soldier Dream e A Promessa do Amanhã: as aberturas que seguiram o Santuário

“Soldier Dream” foi a abertura escolhida para a Saga de Asgard, e aqui há uma informação que surpreende muitos fãs: a música não é do MAKE-UP. A faixa foi interpretada por Hironobu Kageyama em parceria com o grupo Broadway. O tom é diferente de “Pegasus Fantasy”: mais melancólico, grandioso de uma forma mais contida, refletindo a jornada nórdica dos Cavaleiros entre as terras geladas de Asgard. A saga tem uma dinâmica própria, com antagonistas que, ao menos em leitura narrativa, não se encaixam no molde do vilão convencional, e “Soldier Dream” traduz bem essa ambiguidade emocional.

“A Promessa do Amanhã”, tema da Saga de Poseidon, representa outra virada de estilo. Mais lírica e emotiva do que o rock das aberturas anteriores, a faixa acompanha uma saga com mais drama interpessoal e camadas narrativas mais complexas. A escolha de um tema menos agressivo era coerente com uma narrativa onde as motivações dos personagens, aliados e antagonistas, ganham mais espaço do que as batalhas em si. As duas trilhas são frequentemente lembradas com menos intensidade do que “Pegasus Fantasy”, mas formam partes indispensáveis da identidade musical da série clássica.

As aberturas das OVAs de Hades: música para o arco mais sombrio

A Saga de Hades foi adaptada em OVAs lançadas entre 2002 e 2008, divididas em três arcos distintos: Santuário, Inferno e Elísio. Cada arco recebeu uma abertura própria, e o conjunto se destaca pela elaboração musical dentro da franquia clássica. Os arranjos são mais orquestrais, a produção mais cuidada e o tom dramaticamente mais pesado do que qualquer tema de abertura do anime de TV. Isso era intencional: as OVAs de Hades contavam a história definitiva da série original, e a trilha sonora precisava estar à altura dessa responsabilidade.

Os títulos e intérpretes por arco são os seguintes:

  • Arco Santuário: “Chikyūgi”, interpretada por Yumi Matsuzawa
  • Arco Inferno: “Megami no Senshi ~Pegasus Forever~”, interpretada por Marina Del Ray
  • Arco Elísio: “Kami no En ~Del Regno~”, interpretada por Yūko Ishibashi

A comunidade de fãs adultos, aquela que cresceu com a série nos anos 1990 e acompanhou as OVAs no início dos anos 2000, tende a tratar essas aberturas com um respeito particular. Elas chegaram em um momento em que o público já era mais exigente, e o investimento em intérpretes e arranjos à altura das expectativas foi amplamente reconhecido pelos fãs da época. “Megami no Senshi ~Pegasus Forever~”, em especial, conecta diretamente ao legado de “Pegasus Fantasy” já no próprio título, criando uma continuidade emocional entre o início e o clímax da série original.

Ômega e Alma de Ouro: as aberturas das séries modernas

Saint Seiya Omega, exibida entre 2012 e 2013, foi a primeira continuação televisiva do anime em décadas. Com protagonistas novos e uma proposta visual diferente, a série precisava de uma abertura que comunicasse essa renovação sem abandonar o DNA da franquia. A escolha foi “Pegasus Fantasy ver. Ω”, interpretada pelo MAKE-UP em parceria com Shoko Nakagawa. Reutilizar “Pegasus Fantasy” com uma nova roupagem funcionou como âncora de familiaridade para os fãs veteranos, enquanto o arranjo atualizado e a participação de Nakagawa, artista pop de expressivo reconhecimento no Japão, sinalizava que a série buscava também um público mais jovem.

Saint Seiya: Soul of Gold, lançada em 2015 como série de plataforma digital, tinha uma proposta completamente diferente: explorar o destino dos Doze Cavaleiros de Ouro que morreram nas Doze Casas durante a Saga do Santuário. A abertura escolhida foi “Soldier Dream ver. Soul of Gold”, interpretada pelo grupo Root Five, também conhecido pela notação matemática √5. A série foi construída como celebração nostálgica dos Cavaleiros de Ouro, os personagens mais amados pela audiência adulta da franquia, e retomar “Soldier Dream” para essa produção foi uma escolha coerente com essa proposta, bem recebida por quem acompanhava a série desde os anos 1990.

Onde ouvir e assistir cada abertura hoje

A maioria dos temas da série clássica, incluindo “Pegasus Fantasy”, “Soldier Dream” e as aberturas das OVAs de Hades, está disponível nas principais plataformas de áudio. Spotify, Apple Music e Deezer hospedam as versões originais japonesas em edições oficiais. Para localizar as faixas com mais precisão, o AniPlaylist funciona como um guia específico para músicas de anime, com curadoria que facilita encontrar o tema certo de cada saga sem perder tempo em buscas genéricas.

No YouTube, gravadoras e canais oficiais da franquia publicam versões dos clipes e aberturas em contexto com as cenas do anime. O grupo MAKE-UP tem apresentações ao vivo com “Pegasus Fantasy” disponíveis na plataforma, e essas versões costumam oferecer uma dimensão diferente da faixa, mais crua e direta. Para encontrar as versões de melhor qualidade, uma dica prática é buscar pelos títulos originais em japonês: “Pegasus Fantasy”, “Soldier Dream”, “Chikyūgi”. Esse filtro tende a trazer resultados oficiais e evita regravações de qualidade variável.

Versões orquestrais e releituras por músicos da comunidade de fãs também proliferam nessas plataformas. Elas demonstram o quanto a trilha sonora da franquia ainda inspira artistas ativos. Explorar a discografia completa de Cavaleiros do Zodíaco, das aberturas aos encerramentos, é perceber o quanto a série investiu em música de forma consistente ao longo de décadas.

Cada saga tem sua assinatura sonora

Nenhuma abertura de Cavaleiros do Zodíaco é intercambiável. Cada uma carrega a identidade emocional da saga que representa: “Pegasus Fantasy” na grandiosidade da batalha pelo Santuário, “Soldier Dream” na melancolia nórdica de Asgard, os temas orquestrais das OVAs de Hades na despedida definitiva dos heróis. Conhecer esses temas é entender como a série se transformou ao longo do tempo sem perder sua essência.

Para quem quer ir além da trilha sonora e aprofundar o conhecimento sobre os Cavaleiros, as armaduras e as constelações de cada saga, o CosmoAtlas reúne fichas estruturadas e interligadas, todas em português, com dados que conectam o universo fictício à astronomia real. Cada Cavaleiro de Ouro, cada armadura, cada casa têm sua ficha própria, e elas conversam entre si da mesma forma que as aberturas conversam com as sagas que anunciam.

A sugestão é simples: ouça as aberturas na ordem das sagas e, para cada uma, revisite os personagens e o universo daquele arco com um olhar novo. O cosmo de Seiya é muito maior do que qualquer lembrança de infância consegue conter, e redescobri-lo com atenção é sempre uma experiência diferente.